Crônicas de Comentadores
No meu tempo o futebol era de rua
No meu tempo o futebol era de rua
No meu tempo, o futebol como modalidade, surge na rua, por vezes descalço, com bola de trapos, de plástico e mais tarde com as bolas de couro que eram pesadas. Apesar das dificuldades de então, não deixou de constituir uma experiência positiva na minha edificação como jogador e como pessoa e, que me ligou até aos dias de hoje, ao mundo do futebol.

    Hoje, o futebol, é considerado quase como uma ciência. Ao contrário do futebol de rua que me fez crescer, temos o futebol de consola, que prejudica seria e gravemente os nossos miúdos. Mas como dizia, o futebol de hoje, é estudado, detalhado e analisado de uma forma científica e em todas as áreas da ciência, trazendo outras componentes de avaliação que não eram tidas em conta, e uma das áreas científicas desenvolvidas é do foro da psicologia do desporto e do comportamento dos jovens atletas.

    Também hoje, com a conjuntura socioeconómica que vivemos, as dificuldades no modo de vida a deterioraram-se, cada vez mais, em todas as áreas da vida social, consequentemente as dificuldades dos clubes e  encargos com os atletas, não evocando todos os outros problemas sociais, de famílias destruturadas, que se refletem no comportamento do nosso jovem atleta, uma realidade difícil de acompanhar.

    Os nossos jovens atletas de hoje, com ou sem apoio familiar/clubístico ou escolar,  podem optar, por fazer desporto de uma maneira informal apenas porque gostam da modalidade, duas ou três vezes por semana. Outros têm grande perspetivas de chegarem mais longe e finalmente aqueles que evidenciam potencial e que são chamados a representarem o clube ao mais alto nível. Como treinadores, são estes casos que encontramos quando chegamos a qualquer clube, e como é evidente a nossa atitude terá que ser igualmente distinta e diferente.
    Nós treinadores, que trabalhamos com praticantes destas idades, teremos a responsabilidade e devemos ter consciência de que se trata de jovens em construção que vivem um processo de maturação física e mental, atravessando fases de maturação e de afirmação por vezes difíceis de saber lidar. É neste contexto, que tratando-se de um erro de apreciação, reconheço falhas na minha conduta, agindo por vezes, AUTOCRÁTICAMENTE, pela forma de liderar o processo com o jovem atleta.

    Argumentamos muitas das vezes, as enormes dificuldades encontradas, carências ao nível de material e equipamento, espaços exíguos, enfim tudo o que quisermos evocar, para justificar as nossas necessidades/motivações, mas um facto de que não nos podemos esquecer, é o ritmo de aprendizagem e progressão do jovem atleta, que tal como na escola diferenciam-se e como tal, teremos de compreender que cada praticante é um potencial atleta e que deveremos estar atentos.

    Em competição, temos que encarar de forma consciente como a competição nos manipula emocionalmente e ao mesmo tempo, controlar a intensidade dessa mesma emoção de forma a melhorar o nosso comportamento em campo, para não afetar colateralmente os atletas. Observando o desempenho e comportamento dos seus atletas e, neste sentido, é bom que os atletas se apercebam, que o treinador os avalia pelo seu comportamento e atitude em campo, valorizando-os e transmitindo-lhes a auto confiança, em prol do resultado.

    O atleta, percebendo que teve o reconhecimento do seu  desempenho e,  que acima de tudo, dependeu de si próprio, tudo fará, para que volte a acontecer. É essa atitude construtiva que o treinador, deve transmitir aos seus atletas de superarem-se a si próprios.

    Em competição, reconheço que muitas das minhas intervenções estão descontextualizadas  no tempo e na ação e aprendi que os reforços positivos serão preponderantes no assumir do jogo por parte de todos os atletas.

    Muito mais teria para dizer, mas para terminar, quero deixar algumas citações para quem ainda trabalha na outra dimensão do futebol, que é a formação de jovens e que o mundo do Futebol, reconhece que somos um dos países que melhor trabalha a formação.

Frade 2002
“A formação é a base do futebol profissional, por isso, tem de haver uma preocupação elevada com ela”                   
                                    
(Figo 1999)
“Treinar é tão importante como saber o que tenho para fazer”    
                                
Vale (2004)
    “Um jogador pode ter muito talento, mas na nossa opinião é o carácter que conta. São esses os grandes jogadores do futuro. É um aspecto decisivo no jogador de elite. O jovem jogador de futebol, tem de revelar Carácter, inteligência específica de jogo, técnica evoluída e com princípios de educação para se comportar como ser social. Para além disso tem de ter ambição, gostar de futebol e uma grande vontade de se tornar um jogador de elite”
        
Valente (2005)                           
    “Assim a formação em futebol tem que ser uma atividade guiada pelos mais rigorosos padrões de exigência, de forma a preparar os jovens jogadores para o mundo do futebol profissional. Um jogador de futebol de alto nível tem de ter um nível mental muito forte”                
                     
Vale (2003)         
“Para um jovem jogador seja formado com sucesso este tem de ser eficaz do ponto de vista tático-técnico, físico e fundamentalmente mental. Para poder alcançar  este perfil o jogador tem de ter capacidade de trabalho, rigor, disciplina, organização, grande ambição em tornar-se jogador de alto nível. Portanto, está relacionado com o nível de empenhamento que consiga ter no dia a dia, no sentido de se tornar cada vez mais forte do que no dia anterior”        
                        
Mourinho (2002)       
“Para Mourinho, mais problemático que as debilidades táticas são as debilidades ao nível psicológico afirmando mesmo que adora encontrar um jogador com debilidade táticas, receber um jogador  cru a nível tático.
    “Mas não tem pachorra para jogadores com debilidade psicológicas ao nível do sacrifício, da crença e da entrega. Ou seja, os grandes treinadores pretendem jogadores com qualidade, mas que tenham motivação em cada dia que passa e um interesse grande em aprender aquilo que lhes é transmitido”        
                        
Seeverens (1997)        
“Todo o atleta, do Ajax tem de ser treinável e ser capaz de entender as instruções, mesmo tendo só 7 anos”        
                              

Comentador: Mário Adolfo
Autor: mario Adolfo
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