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Timor, 10 anos: o futebol na terra do sol nascente
04-01-201301:05
As imagens do massacre de Santa Cruz, em 1991 no cemitério de Santa
Cruz, em Dili, correram mundo. Eram sobretudo jovens,
muito jovens. Corriam por entre as campas para
tentar salvar a vida naquele local de morte. Alguns não conseguiram
evitar
as balas que os perseguiam. Centenas morreram ou
ficaram feridos.
Em Portugal, durante a década de 90,
sucederam-se
as manifestações e vigílias para dizer à
comunidade internacional o que se passava na metade leste da ilha. E o
mundo, em
particular Portugal, acompanhou de perto o
sangrento percurso que os timorenses fizeram para chegar à
independência.
Finalmente,
o dia 20 de maio de 2002 trouxe ao mundo um novo
país: Timor Lorosae, «a terra do sol nascente», uma das mais recentes
nações
do mapa mundial. Aquele território era
finalmente um Estado independente, após anos de colonização portuguesa e
invasão indonésia.
A página em branco onde o novo país escreveria a
sua história estava criada.
A seleção e os leões, dragões e águias
asiáticos
São muitas as marcas
deixadas pelos portugueses em Timor e o futebol é uma delas. A paixão
pelo desporto-rei
estava entranhada e, mal foi declarada a
independência, há dez anos atrás, os timorenses criaram a Federação de
Futebol de
Timor Leste (FFTL). Em Setembro de 2005 foi
admitida como 206º membro da FIFA, tornando-se na 9ª seleção de língua
portuguesa
filiada na organização do futebol mundial.
No
campeonato, ainda semi-profissional, é bem visível essa ligação a
Portugal:
Sporting Clube de Timor, Clube Sport Dili e
Benfica, SLB Laulara e FC Porto Taibesi são alguns dos clubes que lutam
pelo título
e evocam os grandes do futebol português.
O
jogo de estreia da seleção timorense foi precisamente frente a
Portugal,
que tinha uma equipa formada pelos militares da
GNR no país. Além da vitória por 3-0, os espectadores que encheram o
Estádio
Municipal de Dili ainda tiveram a oportunidade
de ver o presidente Xanana Gusmão a defender um penalti marcado por
Eusébio.
Mas
só em 2004 chegariam as competições a sério e
seria um português, José Luís, o antigo médio do Benfica, quem
comandaria a
seleção timorense nessa etapa. Timor estreou-se
então na Tiger Cup, torneio que reúne 10 seleções do sudeste asiático.
As
vitórias tardaram a chegar e o facto de a falta
de infraestruturas obrigarem os timorenses a disputar os jogos sempre
fora,
também não ajuda. Assim, somaram-se os maus
resultados e a seleção timorense foi mesmo a primeira eliminada em campo
da qualificação
para o Mundial de 2014 no Brasil.
A primeira liga profissional
Contando
apenas com um campeonato
amador, Timor depara-se com a fala de
disponibilidade dos jogadores para representar a seleção e falta de
preparação técnica
e física para disputar as grandes competições.
Para superar essa questão, a federação tem convidado atletas com alguma
ligação
ao país para que se naturalizem e possam
envergar a camisola nacional.
Além disso, conta com a colaboração
de grandes
clubes internacionais para desenvolver o futebol
no país. Em Portugal, a ligação mais estreita é com o Benfica. Mas o
Real
Madrid também está apostado em desenvolver o
futebol local. Os merengues abriram três escolas de futebol no país e
organizaram
recentemente uma grande ação de seleção das
crianças que as irão frequentar.
E 2013 trará mais uma mudança ao
país:
vai nascer a primeira liga profissional em
Timor, mais um passo para que este povo, que tanto ama a bola, possa
aprender a
demonstrar essa paixão e a provar o sabor das
vitórias.
Fonte : Maisfutebol.iol.pt
Academia de futebol